Maria: Kimitachi Ga Umareta Wake

Leandro Eidi  /  2026.07.04



Game Details

Maria: Kimitachi Ga Umareta Wake
マリア 君たちが生まれた理由
Available on:
PlayStation 1PlayStation 1
SaturnSaturn

Maria: Kimitachi Ga Umareta Wake foi lançado exclusivamente no Japão para o Sega Saturn e o PlayStation em 11 de dezembro de 1997.

É uma visual novel de mistério com gameplay mínimo, consistindo principalmente em fazer escolhas, embora haja uma curta seção de exploração — ou duas, dependendo das suas escolhas.
Maria sorrindo

Os Visuais e a Trilha Sonora


Vamos falar logo do elefante na sala: os personagens em CG não ficaram bons. Em uma época em que as empresas de jogos começavam a experimentar gráficos 3D para tornar os jogos mais cinemáticos, a maioria ainda tinha dificuldade em fazê-los parecer apresentáveis — e este jogo não é exceção.

Os gráficos 3D são pré-renderizados, então ficam melhores do que o que os consoles 32-bit conseguiam rodar em tempo real, mas isso não quer dizer muita coisa. Os personagens parecem estranhos, e nas cutscenes os movimentos são travados. Cheguei a dar uma risada quando vi Maria pela primeira vez, sabendo que ela supostamente tinha dezesseis anos.

A trilha sonora também não tem nada de especial. As mesmas poucas músicas tocam durante o jogo inteiro, então mais variedade teria sido bem-vinda. O lado positivo é que as faixas são discretas, então nunca fiquei genuinamente irritado de ouvi-las no loop.

Resumindo, o lado técnico do jogo não impressiona, então o seu aproveitamento vai depender inteiramente de se os mistérios da trama conseguem prender a sua atenção. Mas posso dizer que eles me fisgaram o suficiente para eu chegar até o fim.
Maria no hospital

Uma Trama Interessante, Mas Mal Desenvolvida


Após uma tentativa de suicídio, a jovem Maria, de dezesseis anos, é levada a um hospital, onde é tratada pelo médico Jun. Jogando como Jun, você parte para descobrir os mistérios por trás do que aconteceu com Maria — o trauma que ela sofreu na infância —, enquanto os fios da história vão se conectando aos eventos do próprio passado de Jun.

A trama gira em torno das múltiplas personalidades que vivem dentro de Maria, e descobrir quem são elas e por que existem é central para a experiência. Isso está até refletido no título do jogo: "a razão pela qual você nasceu."

No geral, achei a história instigante, mas ela poderia ter sido desenvolvida com mais cuidado. As múltiplas personalidades não têm tanto impacto na trama quanto se esperaria, o ritmo é lento, e o final chega de forma um pouco abrupta. Alguns grandes mistérios só são explicados durante o epílogo, por exemplo.

Apesar do que disse, gostei de ir desvendando o que a história tinha a oferecer.
Maria mostra outra personalidade

Gameplay


Por ser uma visual novel, não há muito gameplay. A maior parte do jogo é gasta lendo os pensamentos de Jun e os diálogos com outros personagens. Há várias escolhas a serem feitas, mas a maioria não parece ter nenhum efeito real. Algumas permitem visitar locais e conhecer personagens que você não encontraria de outra forma, mas sem afetar significativamente a trama.

Algumas escolhas influenciam o final, no entanto. Elas não alteram o mistério central, mas o desfecho das cenas finais varia dependendo de algumas decisões tomadas ao longo do jogo. Nada que vá te fazer jogar de novo, mas isso dá um certo peso às suas escolhas.
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Além dos segmentos de visual novel, há uma curta seção de exploração em primeira pessoa. Não é renderizada em tempo real, então a liberdade de movimento é limitada, mas adiciona uma pitada de variedade bem-vinda.

Há também um computador no jogo, acessível a qualquer momento. Nele você encontra informações sobre os personagens, itens encontrados e as personalidades dentro de Maria. Tem até um minigame de quebra-cabeça de peças para relaxar um pouco. Após certos momentos da história, você também recebe e-mails com comentários sobre a trama e o jogo em si.

Não há tantos personagens ou itens a ponto de você perder o fio, mas o computador é útil caso você pare de jogar por um tempo e precise relembrar o que aconteceu.
O doutor Jun

Uma Nota para Estudantes de Japonês


Por ser uma visual novel, Maria é muito rico em texto. O jogo aborda temas complexos como transtorno dissociativo de identidade e se passa principalmente dentro de um hospital, então o vocabulário pode ser bastante técnico. A ausência de furigana torna as consultas ao dicionário mais trabalhosas do que o normal. O texto no computador de Jun também é pequeno e difícil de ler por conta da baixa resolução do console.

Por outro lado, a maioria dos personagens fala de forma educada, então os estudantes não precisarão lidar com muita gíria ou linguagem informal excessiva.

Levando tudo isso em conta, diria que este jogo é voltado para estudantes avançados. Para um jogo construído quase inteiramente em cima da leitura, ter que parar com frequência para consultar o dicionário pode tirar o prazer da experiência.
Doutor Jun discture sobre Horus

Conclusão


Por ser um exclusivo japonês, é fácil entender por que ninguém se interessou em lançá-lo no Ocidente. Ele não inova no gênero de visual novel, e os visuais o prejudicam. Seria uma venda difícil.

Dito isso, acho que quem curte histórias de mistério e quer colocar o japonês à prova pode encontrar diversão aqui — especialmente porque cópias usadas podem ser encontradas por um preço bem acessível. E se você quiser garimpar uma cópia direto do Japão, nós da Negai Japan podemos te ajudar a conseguir este e outros exclusivos japoneses.
Maria e Jun sob um por do sol
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