Lançado exclusivamente no Japão para o PlayStation 1 em 9 de setembro de 1999, Ore no Ryouri é um jogo frenético, no estilo arcade, em que você joga como um chef trabalhando em diferentes restaurantes, tentando dar conta de uma avalanche de pedidos de clientes impacientes.
Mesmo nunca tendo saído do Japão, dá para ver o DNA dele em jogos de culinária até hoje, como Overcooked e Cook, Serve, Delicious!. Esse último pode até ser considerado seu sucessor espiritual, já que o criador do jogo já disse abertamente que foi uma demo de Ore no Ryouri que o inspirou a criá-lo.
Curiosidade: apesar de o jogo completo nunca ter sido lançado nos Estados Unidos, uma demo com uma fase chegou por lá em um disco de demonstração da PlayStation Underground.
Gameplay
Em cada fase, você comanda a cozinha de um restaurante. Cada cliente faz um pedido, e você tem um tempo limitado para prepará-lo. Se o tempo acabar ou se você errar os comandos, sua reputação cai. O objetivo é manter os clientes satisfeitos até a barra de satisfação chegar ao topo.
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A parte frenética é que os clientes não param de chegar, um atrás do outro, cada prato leva um tempo diferente para ficar pronto, e alguns pratos têm até mais etapas que outros. Por isso, é preciso pensar rápido e se adaptar à situação. Às vezes, atender o cliente que está esperando há mais tempo não é a melhor escolha.
Outra coisa importante é que, quando vários clientes pedem o mesmo prato, às vezes dá para fazer algumas etapas de todos esses pedidos de uma vez. Por exemplo, se dois ou mais clientes pediram macarrão e todos os pedidos estão na etapa de cozinhar a massa, você pode cozinhar tudo junto e economizar um tempo precioso.
Além disso, tarefas extras e imprevistos aparecem aleatoriamente. Tarefas como lavar a louça ou dar o troco aos clientes ocupam um espaço de pedido, então, até você resolvê-las, pode receber menos pedidos e seus lucros podem cair.
Os imprevistos são ainda piores, e cada um causa um problema diferente. Por exemplo, um cliente bêbado pode começar a incomodar os outros, fazendo a paciência deles acabar bem mais rápido até você chamar a polícia. Ou baratas podem aparecer e espantar todos os clientes de uma vez se você não esmagar todas a tempo.
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E, claro, não dá para terminar de falar da gameplay sem mencionar que Ore no Ryouri é um dos poucos jogos de PlayStation que exigem um controle DualShock. Toda a culinária é feita com os analógicos, e o jogo aproveita muito bem a precisão que os controles analógicos permitem.
História: Um Sapo Rancoroso
A história é boba. Um chef sapo, cansado de sempre perder o campeonato de culinária para o protagonista, prepara um plano para finalmente derrotá-lo. Isso faz o protagonista ir de restaurante em restaurante procurando o lugar certo, e em cada um deles ele é confundido com outra pessoa e acaba trabalhando lá por um dia. E não para por aí: ele também é desafiado para um duelo culinário em cada restaurante.
Todas as fases seguem o mesmo esquema. Primeiro, você aprende as receitas dos pratos daquele restaurante, que geralmente são de três a cinco. Depois, você joga sozinho, atendendo os pedidos e deixando os clientes satisfeitos até a barra de satisfação encher. Quando isso acontece, aparece um desafiante, geralmente enviado pelo seu rival sapo. Na parte final da fase, você enfrenta esse desafiante cara a cara. Você não só precisa satisfazer seus próprios clientes, como precisa fazer isso antes que o seu oponente encha a barra de satisfação dele.
Quando você está enfrentando um oponente, as tarefas extras e os imprevistos também aparecem com mais frequência, então tudo fica ainda mais frenético.
Modos Extras
O modo história é curto, com apenas 9 fases. Mas, como o jogo é muito agitado, você provavelmente vai levar um tempo para se acostumar com o ritmo básico: dar conta de pedidos diferentes e lembrar quais etapas podem ser feitas juntas. Com o tempo isso vira algo natural, mas espere algumas tentativas fracassadas pelo caminho. E a gameplay é tão divertida que você provavelmente vai querer jogar de novo algumas vezes de qualquer jeito.
Além do modo história, há alguns modos extras que dão mais vida ao jogo. Tem um modo Versus muito divertido, modos de contra o tempo, um modo em que você pode desafiar qualquer um dos chefes da história e alguns minigames.
Então acho que tem conteúdo suficiente para te manter ocupado se a gameplay te conquistar.
Quanto de Japonês Você Precisa Saber?
Cada prato vem com um tutorial em que um personagem explica o que fazer, mostra um exemplo e depois deixa você praticar. Eles dão algumas dicas, como “mergulhe o camarão na massa até cobrir cerca de 80% dele” ou “segure para baixo por um segundo para a quantidade perfeita de ketchup”. Mas, na maioria das vezes, comparar o resultado do seu treino com o exemplo já é suficiente para entender o que fazer.
Já as cenas da história são mais difíceis de acompanhar. A história é leve e engraçada, mas os personagens falam de um jeito bem estilizado, que pode ser complicado para quem não é nativo. Ainda assim, a verdadeira estrela deste jogo é a gameplay, e não a história boba, então eu diria que ele é bem jogável mesmo se você não entender japonês.
Considerações Finais
Tenho que admitir que, sempre que eu via a capa de Ore no Ryouri enquanto caçava jogos retrô no Japão, ela nunca chamava minha atenção. Existem alguns “jogos” de PlayStation, entre aspas, que na verdade não são jogos, mas sim softwares educativos sobre culinária. Tem até um sobre vinho. A capa de Ore no Ryouri me passava essa mesma impressão.
Quando finalmente decidi dar uma chance, não acreditei no quanto ele era divertido, ainda mais porque eu já era fã de jogos de culinária como Cooking Mama e Overcooked. Dizer que fui agradavelmente surpreendido é pouco.
E é isso que eu mais amo nos jogos retrô. Em alguma loja de jogos usados, num canto esquecido, existe um jogo que ninguém te contou. Você pega ele quase por acaso e, de repente, está jogando uma ideia que outros jogos iriam desenvolver anos depois. Ideias que ainda amamos hoje, esperando numa prateleira empoeirada desde 1999.
Se você conhece essa sensação, acompanhe a gente. Ainda há muitos jogos por aí esperando para serem descobertos, e eu adoraria descobri-los junto com você.
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