Lançado para o PlayStation 1 em 6 de dezembro de 1996 no Japão, e em 1997 no resto do mundo, Parappa the Rapper é um jogo de ritmo extremamente único, tanto na jogabilidade quanto no estilo gráfico. Tanto que Parappa se tornou um dos mascotes mais reconhecidos do PlayStation.
A história é simples e maluca ao mesmo tempo. Resumindo, Parappa está apaixonado pela Sunny, então o jogo basicamente gira em torno dele tentando conquistar o coração dela. Isso envolve situações como ficar mais forte, tirar carteira de motorista e assar um bolo para ela.
Como Parappa é um rapper, tudo isso envolve batalhas de rap contra outros personagens. Como o rap te deixa furar fila de banheiro, você deve estar se perguntando. Nesse mundo, aparentemente, funciona assim.
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Em cada fase, a música segue sempre o mesmo padrão: seu oponente canta um verso, e logo depois Parappa repete esse verso. Durante o turno do oponente, o ícone dele percorre uma linha na parte de cima da tela com imagens correspondentes aos botões do controle. Quando chega a sua vez, você precisa apertar os mesmos botões no mesmo ritmo.
Se você errar os comandos, sua nota cai de Good para Bad e depois para Awful. Enquanto sua nota está pior que Good, a música toca efeitos sonoros estranhos, e seu oponente muda de postura e expressão, então você sempre sabe como está indo mesmo sem olhar a nota no cantinho da tela.
Se sua nota cair ainda mais depois de Awful, a fase acaba em game over. Mas se você conseguir jogar direito antes que isso aconteça, dá para recuperar a nota. Para passar de fase, você precisa terminar com Good ou mais.
Rap hero
Jogar isso como um jogo de ritmo tradicional, simplesmente acertando as notas como mostrado, é uma forma de jogar. Mas o jeito que os desenvolvedores realmente pretendiam que você jogasse, tanto que isso está escrito no manual, é não seguir o guia de botões à risca e, em vez disso, criar seu próprio rap.
Isso significa misturar apertos de botão não roteirizados entre os esperados, ou apertar o mesmo botão várias vezes, tentando construir seu próprio ritmo em vez de simplesmente copiar o que é mostrado, contanto que você continue na batida. Essa também é a única forma de alcançar a nota Cool, que fica acima de Good.
Se você alcançar a nota Cool, a fase muda completamente. Em vez do oponente te dizendo quais botões apertar, você entra num modo livre onde pode rapar do jeito que quiser. O jogo continua te avaliando, porém, e você pode voltar para Good se as coisas derem errado, e nesse caso a fase volta ao fluxo normal.
Um clássico com falhas
Tudo isso parece simples, mas o jogo não facilita as coisas. O principal problema é que, diferente de outros jogos de ritmo que te dizem exatamente quando apertar cada botão, aqui o timing funciona mais como uma sugestão. Normalmente, o momento certo de apertar o botão acontece uma fração de segundo depois do ícone do personagem passar pelo ícone do botão na tela.
No começo achei que fosse algum problema de latência da tela LCD, mas isso acontece até jogando num PS1 de verdade ligado numa TV de tubo.
Será que os desenvolvedores fizeram isso de propósito, para forçar os jogadores a improvisar? De qualquer forma, em vez de tentar seguir o ícone na faixa de botões, é melhor sentir o ritmo ou, melhor ainda, jogar como pretendido e rapar livremente.
Outro problema ligado às faixas de botões é que fica difícil saber quando é realmente sua vez, a menos que você já conheça as músicas de cor. A faixa sempre percorre a tela inteira até o final, mas seu turno pode começar de repente, antes mesmo do ícone do seu oponente chegar ao fim. Isso fica especialmente ruim na fase final, quando Parappa rapa sozinho sem o oponente cantar primeiro, então os botões simplesmente aparecem sem nenhum aviso.
Mesmo durante seu próprio rap e no modo livre, é difícil saber o que o jogo realmente considera uma boa improvisação, ou por que sua nota cai. Então isso acaba parecendo meio baseado em sorte às vezes.
A última grande reclamação é a duração do jogo. Com apenas 6 músicas curtas, a maioria com menos de 2 minutos, e sem modos extras, dá para terminar em menos de trinta minutos se você jogar bem. Suas primeiras tentativas provavelmente vão demorar mais, já que o jogo pode ser bem punitivo e alguns game overs são praticamente garantidos.
Dito isso, tentar rapar bem e terminar cada fase com nota Cool (o que muda o diálogo final da fase) pode aumentar um pouco o tempo de jogo se você for atrás disso. Inclusive tem uma fase extra não jogável caso você consiga terminar todas as fases com nota Cool. Ainda assim, a maioria das pessoas vai terminar o jogo inteiro bem rápido.
Para quem está aprendendo japonês
Todos os diálogos e músicas estão, na verdade, em inglês. O menu de configurações em si não muda de idioma, mas dá para ativar legendas em inglês, então a maior parte do jogo pode ser jogada como se fosse a versão ocidental. Eu diria que é totalmente jogável mesmo que você não entenda uma palavra de japonês.
Conclusão
Por causa de como o jogo lida com o timing dos botões, você provavelmente não vai curtir muito se for esperando um jogo de ritmo tradicional. Eu me diverti mais tratando ele como um brinquedo, só tentando ver se conseguia alcançar a nota Cool em cada música.
Dito isso, não dá para negar o charme e a originalidade de Parappa the Rapper. Se você está montando uma coleção de PS1, é um daqueles jogos que você precisa ter.
Como jogo para realmente jogar, porém, eu recomendaria começar pelo spin-off e pseudo-sequência Um Jammer Lammy, que melhorou a fórmula em praticamente todos os aspectos. Minhas impressões desse aí estão vindo em breve!
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